Já perdi a conta.
A conta das vezes que vos ouvi, dos refrões
que repeti, dos concertos que vi, das palmas que bati.
Não sei bem como começou, mas sei que foi
há muito. E que hoje é muito.
Lembro-me de ouvir a primeira música num
mp3 de uma colega no recreio da escola. Como não tinha um, era obrigatório sujeitar-me à playlist alheia. Um certo dia o aparelho ficou esquecido na minha mochila.
Devolvi-o, claro, no dia seguinte, mas durante as 24h que o tive em meu poder
decorei a letra de “Zão”, de tantas vezes soar ao volume 9 nos meus ouvidos.
A partir daí foi tudo tão rápido como o número
de silabas que encontrei nessa letra.
Cresci convosco quando ainda não havia site,
músicas decoradas ou amigos a gostar. Mas lá ia eu, muitas vezes sozinha, não sei
bem porquê. Aos concertos intimistas no Porto ou aos sítios que ainda não idade
tinha para poder entrar. Mas ia, não sei bem porquê.
Hoje sei que convenci muitos a irem comigo e a espreitar a vossa originalidade, o vosso humor, a vossa verdade. Hoje sei que foram a primeira banda que me
fez arrepiar, comer à pressa e roer a unhas.
Conheço a primeira nota de cada música, orgulho-me
de cada passo que dão.
Mais que admirar falo de vós, muito. Hoje escrevo
porque sei que não me irei arrepender.
E não, não preciso de cd’s, de fotografias, de autógrafos, de cartazes ou de gritos para me sentir da velha-guarda.
E não, não preciso de cd’s, de fotografias, de autógrafos, de cartazes ou de gritos para me sentir da velha-guarda.
A primeira fila quase nunca foi minha mas é
minha a adrenalina gigante quando a primeira luz do candeeiro se acende.
Sei que muitos e muitas mais virão e que
perderei sempre a conta de vos contar.
Não interessa.
Prefiro cantar, mesmo desafinando.
Não interessa.
Prefiro cantar, mesmo desafinando.