- Não penses mais nisto.
- Dorme que isso passa.
- Tens o córtex pré-frontal muito
desenvolvido.
(Córtex pré-frontal: é a parte anterior do
lobo frontal do cérebro. Está relacionada com o planeamento de comportamentos e
pensamentos complexos, expressão da personalidade, tomadas de decisões e
modulação do comportamento social).
É isto que oiço muitas vezes dos que me
conhecem bem, mal, mais ou menos bem ou mais ou menos mal. Dos que gostam de
mim e dos que nem gostam assim tanto. É geral, é um facto, é feitio, é defeito:
eu penso muito. Às vezes demasiado.
Sempre falei com os meus botões, com minha
almofada ou com a parede da casa de banho. Sempre pensei muito alto, desabafei
e pedi conselhos. Sempre parei e desesperei para pensar e por pensar. Sou
assim, desde que me lembro.
Cismo no passado, matuto no futuro e depois
não vivo o presente. Não estou presente.
Nos momentos bons penso no quão maravilhoso
foi isto ou aquilo e recordo até cansar. Nos fracassos e nas derrotas imagino o
que poderia ter sido e não foi.
Posso pensar a rir ou no escuro, quieta ou a
andar. Penso porque sim e porque não.
Fazê-lo demais torna-me insegura e põe-me a
arrebentar de dúvidas.
Pensar de menos nunca experimentei.
Antes de qualquer passo que dou peso os
prós e os contras, meço cada metro percorrido, avalio os riscos e apalpo
terreno. Medo, receio, anseio? Talvez.
O tiro no escuro ainda não viu a luz do dia
em mim, nunca disparou, e ao inconsciente nunca dei muita confiança.
Reflectir sobre tudo e todos faz mal e é me
tão difícil contrariar, controlar e acabar com isso. Hoje tenho motivo e motivação para tentar,
pelo menos.
A receita é abrir o coração, fechar os
olhos e magicar apenas isto: “seja o que Deus quiser”.
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