domingo, 23 de agosto de 2015

Jornalismo

Não fazias parte dos meu planos e não foste a minha primeira escolha.
Mas fizeste sentido e hoje dás sentido ao que faço.

És verdade, a minha.
És missão, mais do que profissão.
És o motor da minha mão esquerda, a gaveta das minhas ideias, a medalha dos meus ideais.
Apuras os meus sentidos, abres os meus olhos, alertas os meus ouvidos, desbravas a minha língua e alimentas a minha alma. Todos os dias.

Fazes-me viver, crescer e mexer. Fazes-me rir e chorar. Fazes-me desejar e sonhar.
Fazes-me esquecer as horas, acordar a meio da noite e ler a mesma frase mil vezes.
Mandas na minha fome, no meu sono, na minha disponibilidade.
Em ti sinto liberdade, vontade e poder.
Contigo conheço-me melhor.
Contigo descubro a lista de sinónimos para me definir e perco-me no mapa dos verbos para me defender.

És romântico e autêntico. Animas e arrepias.
Fazes com tudo seja interrogação e não um ponto final.
És leal e cruel. És doce e amargo. És menino e és rei.
Onde? Na alegria de um fecho, no orgulho de numa página, no meu medo de falhar.



sábado, 18 de julho de 2015

João

Chegaste devagarinho e já passaram meia dúzia. 

Captaste-me os sentidos, fotografaste-me a alma, analisaste o que sou. 
Encontraste-me.
És o meu respirar fundo. És segurança e liberdade, confiança e responsabilidade. 

Na tua entrega descobri a simples cumplicidade de uma conquista.
Na tua verdade descobri, de verdade, as coisas mais importantes. 

Bate certo, bate forte, bate fundo.
Gostar de ti é crescer e aprender, é (re) conhecer e arrepender.
Todos os dias. 

Em cada samba voltamos a cruzar, em cada brinde voltamos a celebrar, em cada esforço voltamos a mergulhar no orgulho que temos um pelo outro. 

Em tudo o que vivo apoias-me e abrigas-me, num equilíbrio que é só teu. E agora meu.

Permanece assim e não mudes. Eu permaneço em ti e não fujo.
Gosto de ti hoje mais do que ontem e do que anteontem.
E já passaram meia dúzia.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Maria

Nasci na época das Joanas, das Marianas, das Ritas e das Catarinas.
Mas eu não poderia ter outro nome se não este: Maria. 
"Tens mesmo cara de Maria", oiço. 
É simples, é de família, é tradição.
Maria é fácil de gostar, de rimar, de pronunciar. 
João Gilberto disse: "Maria é um belo nome. Combina bem tanto com um anjo como com uma pecadora".
Combina com tudo.
Traz significado, traz história. 
Carrega memórias.
É um nome que inspira personagens, músicas e até ditados populares.
Maria vem do céu, do mar e da terra.
Em cada família há uma Maria. E cada Maria é especial à sua maneira.
Não é da moda, não é de agora.
É um nome com responsabilidade. E eu sinto-a. Hoje e (para) sempre.
Que remédio. 

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Pensar

- Não penses mais nisto.
- Dorme que isso passa.
- Tens o córtex pré-frontal muito desenvolvido.

(Córtex pré-frontal: é a parte anterior do lobo frontal do cérebro. Está relacionada com o planeamento de comportamentos e pensamentos complexos, expressão da personalidade, tomadas de decisões e modulação do comportamento social).

É isto que oiço muitas vezes dos que me conhecem bem, mal, mais ou menos bem ou mais ou menos mal. Dos que gostam de mim e dos que nem gostam assim tanto. É geral, é um facto, é feitio, é defeito: eu penso muito. Às vezes demasiado.

Sempre falei com os meus botões, com minha almofada ou com a parede da casa de banho. Sempre pensei muito alto, desabafei e pedi conselhos. Sempre parei e desesperei para pensar e por pensar. Sou assim, desde que me lembro.

Cismo no passado, matuto no futuro e depois não vivo o presente. Não estou presente.
Nos momentos bons penso no quão maravilhoso foi isto ou aquilo e recordo até cansar. Nos fracassos e nas derrotas imagino o que poderia ter sido e não foi.

Posso pensar a rir ou no escuro, quieta ou a andar. Penso porque sim e porque não.
Fazê-lo demais torna-me insegura e põe-me a arrebentar de dúvidas. 
Pensar de menos nunca experimentei.
Antes de qualquer passo que dou peso os prós e os contras, meço cada metro percorrido, avalio os riscos e apalpo terreno. Medo, receio, anseio? Talvez.

O tiro no escuro ainda não viu a luz do dia em mim, nunca disparou, e ao inconsciente nunca dei muita confiança.

Reflectir sobre tudo e todos faz mal e é me tão difícil contrariar, controlar e acabar com isso. Hoje tenho motivo e motivação para tentar, pelo menos.

A receita é abrir o coração, fechar os olhos e magicar apenas isto: “seja o que Deus quiser”. 

domingo, 16 de novembro de 2014

Lisboa

Amor, ódio. Apego, desapego. Bonita, feia.
É nesta guerra e nesta paz que te vejo, que te sinto, que te quero.
És dona do meu Verão e da minha despreocupação.
És trabalho, és lazer, és aquilo que eu quiser.
Eras sonho, desejo e ambição. Hoje és escape, arejo e gratidão.
Levaste-me amigos, paixões, amores e desamores. 
Deste-me música, teatro, viagem e paisagem.

Enchi-te das minhas lágrimas e dos meus sorrisos. 
Ouviste os meus botões cheios de segredos e confissões.
Tanto te recebo de braços abertos como te viro a cara na despedida.
Em cada visita te olho diferente e de frente. 
Em cada encontro há cheiro a saudade. Em cada chegada sou mais eu.

Em ti o vinho nas escadas sabe melhor, uma conversa à varanda sabe melhor.
Tens ligações e corações que me pertencem e não se acabam quando te deixo.
Em ti cabe o novo e o antigo. Cabem os anos e os laços. Cabem os abraços sem fim.
Perco-me sempre em ti. Mais sozinha e mais acompanhada. 

Contigo aprendi e arrependi. Contigo tenho toda a lata do mundo, tenho toda a curiosidade do mundo, tenho toda a esperança do mundo.
Tens a memória de noites em claro, de conversas em dia e de pontos nos i’s.
Sabes a adolescência, a aventura e a incerteza.

És uma esquina, uma sardinha, um café e um pontapé.
Soas a fado e a confusão. Silêncio e contradição.
És uma rua plana que não acaba. Uma luz que não se apaga.

És o meu intervalo. Quebras o quotidiano das horas certas para comer e a rotina das escolhas certas para fazer.
Foste primeiras vezes descobertas e indiscretas. 
Andamos de mãos dadas e de costas voltadas.

Os teus tesouros e as tuas histórias não têm as minhas raízes mas fazem-me felizes. 
Pelo menos o suficiente para me fazer voltar. Sempre.

domingo, 17 de agosto de 2014

AZ

Já perdi a conta.
A conta das vezes que vos ouvi, dos refrões que repeti, dos concertos que vi, das palmas que bati.
Não sei bem como começou, mas sei que foi há muito. E que hoje é muito.

Lembro-me de ouvir a primeira música num mp3 de uma colega no recreio da escola. Como não tinha um, era obrigatório sujeitar-me à playlist alheia. Um certo dia o aparelho ficou esquecido na minha mochila. Devolvi-o, claro, no dia seguinte, mas durante as 24h que o tive em meu poder decorei a letra de “Zão”, de tantas vezes soar ao volume 9 nos meus ouvidos.
A partir daí foi tudo tão rápido como o número de silabas que encontrei nessa letra.

Cresci convosco quando ainda não havia site, músicas decoradas ou amigos a gostar. Mas lá ia eu, muitas vezes sozinha, não sei bem porquê. Aos concertos intimistas no Porto ou aos sítios que ainda não idade tinha para poder entrar. Mas ia, não sei bem porquê.

Hoje sei que convenci muitos a irem comigo e a espreitar a vossa originalidade, o vosso humor, a vossa verdade. Hoje sei que foram a primeira banda que me fez arrepiar, comer à pressa e roer a unhas.

Conheço a primeira nota de cada música, orgulho-me de cada passo que dão.

Mais que admirar falo de vós, muito. Hoje escrevo porque sei que não me irei arrepender. 
E não, não preciso de cd’s, de fotografias, de autógrafos, de cartazes ou de gritos para me sentir da velha-guarda.

A primeira fila quase nunca foi minha mas é minha a adrenalina gigante quando a primeira luz do candeeiro se acende. 

Sei que muitos e muitas mais virão e que perderei sempre a conta de vos contar. 
Não interessa.
Prefiro cantar, mesmo desafinando.

domingo, 1 de junho de 2014

Depois

Sim, foi rápido e depois?
Caímos de para-quedas e depois?
Não combinei, não imaginei, não idealizei e depois?
Se mudei, se cresci, se descobri? Ganhei.
Não recusei, não virei a cara, não disse nunca.
Se estava à espera? Não.
Se já merecia? Sim.
Bateu fundo e bateu certo.
Foi fácil, tão fácil e soube bem.
Foi sol a nascer e a pousar. Foi o Douro a acompanhar.
Foi não, é.
Se vai correr bem? Não sei.
Se vai durar? Talvez.
Se já marcou é porque mexeu.
Se há saudade é porque há verdade.
Se há abraço é porque não há cansaço.
Juntou-se um sorriso às minhas covinhas, uma mão à minha mão esquerda e o resultado é isto e é forte. E depois? Oh depois não demores muito, não te faças de difícil, não sejas menino e faz-me feliz. 
Como ele.